
Em 1980 nasceu o PT-Partido dos Trabalhadores na região do ABC Paulista, pequeno mas que adquiria força rapidamente por seu discurso que ia ao encontro dos anseios dos desfavorecidos, dos oprimidos e dos desvalidos. O Sindicato dos Metalúrgicos, nascedouro do partido não possuia representatividade que abrangesse todo o território nacional, fato que dificultava o crescimento da agremiação. Neste momento engajou-se no movimento o maior sindicato do Brasil, O Sindicato dos Bancários, que com a necessária representação nacional possibilitou o rápido surgimento da nova legenda de sul a norte. Crescendo dentro do movimento, dos bancários logo despontaram lideranças, fazendo da classe a espinha dorsal do partido. Já na eleição de Collor o PT conseguiu apresentar-se ao eleitor brasileiro como a grande opção de esquerda, mantendo seu discurso de fundação, somando simpatizantes e militantes principalmente entre estudantes e operariado. Comandados pelos bancários, que pelo contato direto com o público tinham extrema facilidade de disseminar idéias, a juventude trabalhou intensamente contra a eleição de Collor, mas perdeu, embora tenha deixado sinalizado para toda a Nação, que mais cedo ou mais tarde chegariam ao poder pelo voto, podendo implementar suas idéias. Mesmo derrotados continuaram na luta e derrubaram Collor.
Na eleição de Fernando Henrique Cardoso o PT já mostrou que veio bem estruturado, fazendo com que a eleição fosse ao segundo turno onde Lula e Fernando Henrique centralizaram a atenção do eleitorado. Novamente derrotados, mas já tendo conquistado diversos governos estaduais e sólida representação no Congresso Nacional, o PT crescia mais ainda, pois ao mesmo tempo que outros partidos gastavam muitos recursos no custeio dos pleitos eleitorais, a entidade tinha em sua militância, cada vez mais fortalecida pelo Sindicato dos Bancários, a base de baixo custo de suas conquistas cada vez maiores. O governo neo-liberal de Fernando Henrique assumiu o poder em 1995, óbviamente já com projeto de manter-se por dois mandatos, todavia acossados pela militância petista, não vacilaram no intento de enfraquecer o principal adversário, quebrando a espinha dorsal do Partido dos Trabalhadores, ou seja o Sindicato dos Bancários, fortemente representado pelos funcionários do Banco do Brasil.

Os bancários, mesmo enfraquecidos, lutaram sem esmorecer contra a opressão dissimulada do Governo FHC, esperando chegar ao poder e ver reparadas todas as injustiças absorvidas pela classe. Nenhum segmento da sociedade brasileira sofreu tanta perseguição política durante o governo do PSDB quanto os funcionários do Banco do Brasil, jogados ao desemprego, homens e mulheres de meia idade, suporte de famílias, não conseguiram retornar ao mercado formal de trabalho e sucumbiram ao desespero, ao alcoolismo, a demência e a depressão, mas mantendo a esperança de reparação, que certamente viria com o Presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores. Passado o primeiro mandato de Lula nada aconteceu, continuaram à margem da sociedade, usurpados, oprimidos e esquecidos. Mantiveram a esperança e contribuiram mais uma vez reelegendo o Presidente Lula.
Hoje ainda esperam pelo resgate de sua cidadania, mas o Partido dos Trabalhadores, tendo seus membros administrando o Banco do Brasil, virou as costas aos demitidos, não lhes dando sequer o direito de reinvindicar e negociar com a direção do Banco, que blindada ao assédio mostra-se irredutível em tentar reparar, da forma mais branda que seja, as injustiças que foram cometidas. Estes trabalhadores conquistaram seus postos de trabalho através de concorridos concursos públicos e buscaram no Banco do Brasil o sonho de toda uma vida, assim como tantos outros brasileiros que trilharam o mesmo caminho em quase dois séculos de história da instituição.
O Banco do Brasil embora tenha regime trabalhista celetista, é uma empresa de economia mista, onde o Governo Federal deveria ter buscado dentro do próprio poder público a solução para os aludidos problemas da instituição e nunca buscar a via mais fácil das demissões em massa e da perseguição política. Este relato é histórico e tem por objetivo mostrar que conhecemos a história porque fizemos parte dela e aprendemos entre esperanças frustradas, sonhos, vitórias e derrotas a conhecer o cenário político brasileiro. Aguardamos até agora que aqueles que um dia militaram ombro a ombro conosco e que hoje estão no poder dessem guarida as nossas reivindicações, mas ao invés disso nos deram as costas e nos fadaram ao esquecimento. Mostramos sempre que conhecemos luta e organização, pois assim fizemos em tantas conquistas do PT e neste espírito somado ao conhecimento do quadro político eleitoral, podemos dizer que mesmo consideradas todas as afirmações, pesquisas, declarações controvertidas e tantas outras situações mais, que eleição se decide no voto, na urna e após a contagem não há retorno, restando apenas a alegria dos vencedores e a tristeza dos perdedores.
Sabemos que o próximo pleito presidencial será extremamente difícil para o PT, pois o Presidente Lula é o único candidato forte do partido, mas está impedido pela Constituição Federal e sem ele será difícil manter-se no Governo, motivo maior para o PT buscar todas as forças que puderem somar e nós, membros do MOVIMENTO DOS DEMITIDOS DO BANCO DO BRASIL, abandonados, oprimidos, esquecidos e traídos, certamente não estaremos nestas fileiras desta vez. Continuamos a ter a mesma força militante e embora já velhos soldados temos nossos filhos e familiares e hoje a força para deslocamento que a idade nos tira, recuperamos com a informatização das comunicações percorrendo longas distâncias em segundos e nos mostrando presentes em vários locais ao mesmo tempo. Nosso abandono, nosso sofrimento e de nossas famílias não será em vão. MOVIMENTO DOS DEMITIDOS DO BANCO DO BRASIL - Blog Excluídos do Banco do Brasil
Contato: arytaunay@uol.com.br
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Francisco Gualberto apóia reintegração
de funcionários demitidos do Banco do Brasil
O projeto de lei que dispõe sobre a reintegração de ex-funcionários do Banco do Brasil demitidos no período de1995 a 2002, apresentado em Brasília pelo senador Inácio Arruda (PC do B/CE), ganhou apoio na Assembléia Legislativa de Sergipe. Nesta semana(28/04/2008), o deputado estadual Francisco Gualberto (PT), líder da bancada governista, apresentou Moção de Apoio ao projeto de autoria do senador Inácio Arruda, considerando a causa muito justa. (Alese).
Comentários
Só posso agradecer a divulgação do nosso manifesto.
Ary Taunay Filho(autor do texto)